sábado, 30 de abril de 2011




Maio! mais um iassumi (férias)chegando e o Japão se recuperando de tanta devastação.É estranho lembrar quantas crianças ficaram sem pais e quantos pais ficaram sem filhos, quantos irmãos sem suas irmãs e quantos meninos sem o seu melhor amigo.Tanta coisa devastada tantos sonhos interrompidos.Mas o Golden Week chegou, não sei se com tanta euforia como todos os anos em um país que adora viajar, onde os parques de diversão e os restaurantes se espalham por tantos cantos dessa terra exuberante na primavera.O que sei é que não vi a cerejeira se abrir, quando me dei conta, as flores estavam caindo e as arvores se tingiam de verde com o aparecimento das folhas.Pela primeira vez em muitos anos aqui no japão, não saí para ver o hanami, Admirar os japoneses, fazendo churrasco, em baixo do sakura (cerejeira) esperando quem sabe uma pétala cair como sinônimo de sorte.
O tempo corre estranho ainda muito frio para para um meado de primavera Com certeza o japão chora com tanta dor

domingo, 24 de abril de 2011

A força do Mar arrasando o que era culturalmente tradicional

Terra Fogo e Mar

O gigantismo do Mar

Depois de longo afastamento, aqui estou saindo da letargia dos últimos acontecimentos.
Viver em uma terra cercada por placas tectônicas é como arriscar a vida todos os dias, mas quem não o faz? A vida por si já um grande risco. Se olharmos, por certo ângulo mais complacente, diremos que viver é um grande milagre, um grande presente. Na verdade ninguém poderá afirmar ou determinar por quanto tempo ainda estará nessa dimensão. Um terremoto, uma bala perdida, um ato insano tudo poderá ser agente executor do fim à vida, tão jovem, madura, ainda não ou bastante vivida.
O terremoto (jishin) de certa forma atingiu a todos no Japão. Uns de maneira tão violenta, outros menos, mas também muito angustiante gerando ações impensadas desde correr aos supermercados para comprar quanto pudesse de água e outros víveres mesmo não vivendo na área atingida pelo tsunami ou entrar em uma agencia de viagem e marcar seu, ou de um ente querido o retorno antecipado ao Brasil. Pensei que fosse reviver aquilo que em 2008 chamei de “O cotidiano da despedida”. Mesmo em grau menor os brasileiros no Japão separaram a família; filhos vão, pais ficam, ou apenas o pai visto que algumas mães acompanharam seus filhos menores. Resta esperar que as placas, percam lentamente a energia acumulada que ainda resta e retorne à sua posição sem grandes efeitos para a litosfera terrestre habitada por nós frágeis humanos.