domingo, 24 de abril de 2011


Depois de longo afastamento, aqui estou saindo da letargia dos últimos acontecimentos.
Viver em uma terra cercada por placas tectônicas é como arriscar a vida todos os dias, mas quem não o faz? A vida por si já um grande risco. Se olharmos, por certo ângulo mais complacente, diremos que viver é um grande milagre, um grande presente. Na verdade ninguém poderá afirmar ou determinar por quanto tempo ainda estará nessa dimensão. Um terremoto, uma bala perdida, um ato insano tudo poderá ser agente executor do fim à vida, tão jovem, madura, ainda não ou bastante vivida.
O terremoto (jishin) de certa forma atingiu a todos no Japão. Uns de maneira tão violenta, outros menos, mas também muito angustiante gerando ações impensadas desde correr aos supermercados para comprar quanto pudesse de água e outros víveres mesmo não vivendo na área atingida pelo tsunami ou entrar em uma agencia de viagem e marcar seu, ou de um ente querido o retorno antecipado ao Brasil. Pensei que fosse reviver aquilo que em 2008 chamei de “O cotidiano da despedida”. Mesmo em grau menor os brasileiros no Japão separaram a família; filhos vão, pais ficam, ou apenas o pai visto que algumas mães acompanharam seus filhos menores. Resta esperar que as placas, percam lentamente a energia acumulada que ainda resta e retorne à sua posição sem grandes efeitos para a litosfera terrestre habitada por nós frágeis humanos.

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