domingo, 24 de maio de 2009


Meu último Dia
Com frequência estamos ouvindo isso.Hoje, amanhã, semana que vem é o meu último dia aqui.Uma vez falei sobre o cotidiano da despedida em uma das páginas do meu blog. Isso me entristecia.Cada vez que alguem querido dizia vou embora.Estou arrumando as malas para voltar ao meu país.sentia tristeza pela despedida, mas, ao mesmo tempo, sabia que era a decisão pessoal.Estava na hora de voltar, coisa que eu realmente quero fazer, quando chegar a hora certa.Entretanto agora tudo está fugindo do nosso controle.Voltar não é mais uma decisão pessoal, e sim impulsionado pela circunstãncia.
Quantas pessoas que não pensavam mais em sair daqui, viviam tranquilos certos que haviam encontrado a estabilidade, a vida segura que tanto buscavam nessa vida tão difícil para muitos, e extremamente rica para uma minoria, agora arrumam as malas com a sensação de estarem sendo descartados .Pior de tudo, é a sensação de que o seu país de origem nem sempre os acolherá de braços abertos.É mais um para diputar o difícil mercado e a assistencia da mãe pátria que sem querer ou por descaso o expulsou numa migração espontanea mas provocado pela vida difícil que vivia.
pior disso tudo são crianças nascidas aqui que nunca foram ao Brasil, não são consideradas japonesas dizem que são brasileiras mas quase nada sabem do Brasil, na verdade escrevem Brazil.São as crianças apátridas.Obrigadas voltar para um mundo totalmente inverso ao que sempre viveu.Tudo fica para trás;um mundo de consumismo,presentes caros, eletrônicos de última geração e a certeza que não poderão ter isso tudo daqui pra frente.
Volto a dizer tudo seria perfeitamente aceitável se não fosse obrigado pela tal crise da qual os que estão sendo penalizados não foram os responsáveis.Sempre ouvi dizer "o brasileiro é a melhor mão de obra no japão, nem o próprio japonês shain consegue concorrer com a capacidade produtiva do brasileiro".Eu sempre contestei e alertei pelo entusismo ingênuo.Hoje o japão descarta essa força de trabalho porque dela não mais precisa.isso é inaceitável.
voltando ao titulo, é muito triste ver pessoas queridas indo embora sem que tivessem preparadas para fazê-lo.Sair desse pequeno espaço que nos permitia fazer uma comunidade bem especial para a imensidão do nosso querido Brasil que os engulirá gerando um grande desencontro.Dificilmente iremos nos encontrar por lá É o cotidiano da despedida que não conseguimos nos acostumar.

terça-feira, 12 de maio de 2009


O Japão possui mais de cinco mil ilhas.Dessas menos de mil são habitadas.
A composição de todas elas proporcionam um belo cenário especialmente quando observada do alto.
De um teleférico sobre o lago hamanako com todo o medo de altura que me é peculiar sucumbi ao encanto dessa paisagem tão bela. a sensação de estar no alto e ver uma natureza tão perfeitamente harmoniosa, nos confere a existência de um ser superior reponsável por toda essa criação.Seja que nome receba; Deus jeová ou alá.
Esse país é marcado por um contraste entre o milenar e o moderno o que nos dá uma sensação surpreendente de caminhar entre o presente futuro e passado.
Reforçando essa dualidade nipônica contamos com a sensação, que hora nos ocorre, de levarmos uma vida extremaente estressante e agitada e ao mesmo tempo tão pacatamente acomodada e trânquila.
Nós estrangeiros que vivemos no Japão pensamos em partir retornar à nossa terra natal que tanta saudade nos provoca, mas guardamos no cantinho do coração e esperança de um dia poder voltar

quarta-feira, 29 de abril de 2009


A Pontualidade é conhecida como britânica, entretanto nada mais pontual que viver no japão.Tudo acontece tão igual e repetido que chega a ser monotonia.
Embora seja o país do Sol nascente, a vida só começa a funcionar após as 10h quando o sol já está quase a pique e por falar em sol, quase todos os japoneses o temem.Uns por causa do Câncer, outros pelo pavor da ficar preto enfim tudo é motivo para que em pleno verão usar camisa de mangas compridas chapéu ou guarda sol e sem contar com os inúmeros cremes bloqueadores solar.
Voltando para a pontualidade. Todo o dia ao sair para o trabalho, passa na porta do prédio em que moro um grupo de crianças. Depois outro grupo, cada um obedecendo a um líder. Atravessam exatamente no mesmo ponto. Logo após passa um carro de cor branca seguido de um de cor abóbora, um pouco incomum no Brasil que não mencionarei a marca para não fazer propaganda gratuita. Nos dias de segunda e quinta feiras passa uma mulher de meia idade usando avental, como todas fazem para levar o lixo orgânico e ás 3ª feiras a mesma mulher, na mesma hora no mesmo minuto leva o lixo plástico. Eu saio de casa exatamente as 7.45h para chegar à escola que trabalho exatamente 8.20 espero mais 10 minutos para bater o meu cartão. Como somos brasileiros nem tudo funciona tão igual na escola, acredito que assim tem mais vida.